Arquivo de matérias postadas em‘ Crônicas ’

ZÉ PITOMBA FAZ CAMPANHA E APANHA

No seu intuito de ajudar o sogro candidato e palerma, Zé Pitomba envolveu-se, de corpo e alma, na campanha de Doutor Amélio para a Cama Federal. Não tinha mãos a medir, o tempo urgia, o dia das eleições já estava às portas e havia tanto o que fazer! Empurrar aquele mastodonte, lançá-lo nos braços do [...]

AMÉLIO, DEPUTADO DE VERDADE

Zé Pitomba, o dileto amigo de Chico Azedo, também estava navegando nas altas rodas. Tava muito requisitado: choviam convites, festinhas, banquetes, reuniões elegantes e encontros galantes, era outro que não parava. Há anos sem comer direito, compartilhando os mingaus de ponta de rua, cafés apressados, médias com leite das lanchonetes imundas — como os demais [...]

Alguns filmes, alguns

A invenção do DVD (e do VHS) não só permitiu a possibilidade de se assistir a uma miríade de filmes, de todas as partes e épocas, como também livrou-nos do constrangimento de ficar sentado durante 2 horas num cinema. Ficar a pulso num cinema durante 2 horas, entre comedores de pipoca e barras de chocolate, [...]

OS ANTIGOS CINEMAS

Numa cidade pequena, ainda povoada de bondes, ou outro dia ainda com bondes, os cinemas eram uma diversão especial. E, novidade das novidades!, dois tinham ar-condicionado: o Guarany e o Excelsior. Isso numa época em que não havia ar-condicionado na cidade. Consultórios médicos e dentários funcionavam com janelas abertas, recebendo a brisa da manhã, a [...]

Casamento de Grã-Fino

Malgrado todo o banho de loja, as mordomias, o carro da rica noiva pra dirigir, o faro de repórter de Chico Azedo continuou intacto. E não poderia deixar de ser. Tinha ele já muitos quilômetros rodados e, depois dos primeiros espantos e maravilhamentos proporcionados pela sua nova condição de “enfant gâté”, aquele seu agudo senso [...]

Um jantar de grã-finos

Chico Azedo ia de namoro firme com sua adorada Lucidalva — Luci, para os íntimos — segundo Gigi Pompom, a mais categorizada colunista social da cidade. Quem quisesse seguir as peripécias e avanços do “romance do ano” era só ler a coluna de Gigi — nascida Gilvaldina Assunção lá onde o vento faz a curva [...]

Uma tarde no Farol

Uma tarde de sol. Estou saindo e minha neta se anima a ir comigo: “quero ir também”. De vez em quando ela não aguenta mais ficar em casa — quer brincar, quer correr, quer sentir o sol. Basta de televisão, de sofá, de deveres escolares. Eu estou indo resolver umas coisas — passar no banco, [...]

Escrevendo para o teatro

Ando fazendo umas peças para o teatro. Chamo-as de “versões teatrais” porque há sempre um texto literário — romance, conto ou novela – a que elas se vinculam. De hábito, o texto literário antecede o teatral, mas há casos em que a peça surgiu antes. Na verdade, trata-se de um meio de expressão, um instrumento, [...]

O Mundo dos Cowboys

Esses últimos dias voltei a garimpar filmes — desta vez em DVD. Antes, já tive uma boa coleção em VHS, a maior parte agora mofados, como soe acontecer com cassetes. Uma enxurrada de opções se apresenta, entre filmes clássicos, seriados, westerns, comédias, musicais, documentários, e eu vou pegando de tudo, de maneira eclética. O bom [...]

Dias mais frios

Dias mais frios, cidade mais vazia, mais humana. A semana do São João e muita gente já viajou. Chove, faz sol, volta a chover. E chuvisca, e vem a garoa, e volta um solzinho mentiroso. No Farol o mar está lindo como nunca: as ondas ferozes e velozes, verde-escuras, profundas, riscadas de branco, o branco [...]

Da Copa e dos Copos

O bravo repórter Chico Azedo foi convidado por Zé Pitomba pra ir torcer  pelo Brasil lá na favela Dá Nela e teve uma experiência inesquecível. Os argumentos de Zé Pitomba eram irrespondíveis:
— Você precisa ir lá, Chico. Porque é o povo é que sabe torcer mesmo pelo Brasil, que é patriota… Esse é um povo [...]

A noiva de Chico Azedo

Retrato entronizado em cima do piano de Dona Justina — lado a lado com Chopinho e Biritoven, os copositores favoritos do marido dela, o Desembargador Limões Aroeira (o que pega pinto na carreira) — o senhor Chico Azedo estava mesmo “em cima da carne-seca”. A curiosa expressão popular servindo de parâmetro para a sua situação [...]

Chico Azedo no Soçaite

O Desembargador Limões Aroeira — o Senões e Ladroeira na língua da arraia-miúda — apreciou muito os préstimos do seu ilustre colega, o parecerista Chico Azedo. Este experimentado e caprichoso repórter — nunca deixava uma tarefa no meio, ia sempre até o fim, por isso uma vez acabou chamuscado, caso que não cabe contar aqui [...]

Zé Pitomba e o Deus Embargador

Zé Pitomba queria melhorar de sorte — quem não quer? Tava cansado de ser o capacho de Calunguinha. Tudo que não dava certo — o cano que não passava água, o cano que fora furado, a madeira que não aguentara prego — tudo era culpa dele, que era burro, que não sabia trabalhar. É o [...]

Os selviços de Calunguinha

Falar em Zé Pitomba é falar em Calunguinha, seu mentor e professor. Calunguinha foi quem ensinou Zé Pitomba a trabalhar — ou, melhor, a se virar. Era um tipo pequeno, sempre andava bem arrumado, sapato no pé, que gostava de dar tiro. Só pegava um serviço se lhe pagassem bem: era sempre o dobro do [...]

Dias de Recolhimento

Afinal a chuva chegou, instalou-se, e a rotina da cidade mudou. E a nossa rotina também. Dias de mais contenção e recolhimento. Esses dias — não sei se é coincidência — eu larguei a pintura e retornei à literatura. A chuva me obriga a isso, como nesta manhã. A saída de bicicleta já fica proibida [...]

Dois dedos de verde

Com a chuva das últimas semanas as plantas pegaram outra força. O verde se tornou mais intenso, tropical talvez, luzidio, luxuriante. Plantas rasteiras, do meu quintal da frente, cujo nome nem sei, cresceram, estão cheias de poder e orgulho. Respiram tranquilidade e exuberância. Algumas sobem pelas paredes, emaranham-se na grade, avançam para o alto-relevo de [...]

Lindinho dá as cartas

Lindinho era quem mandava na favela Dá Nela. Ele e mais Zebedeu, o irmão de Tadeu, que controlava o jogo do bicho. Um controle sempre difícil, sempre sujeito a chuvas e trovoadas. A casa de Tadeu parecendo uma fortaleza, nem janela tinha. E lá dentro todo mundo armado, um com medo do outro, aquela dinheirama [...]

Lindinho da Pavuna

Chico Azedo era pertinaz. Era pau pra dar
em doido. Não batia prego sem estopa. Era o bambambã do jornalismo patrício. Era carne de pescoço. Era o sinônimo, o protótipo, a mais completa definição do jornalista baiano: aquele que mata a cobra e mostra o pau. O que cavuca por baixo, que ela sai. Sai quem? [...]

Fim de uma Jornada

Esta é a crônica centésima quarta, e corresponde a 2 anos de colaboração com o Bahia Press, de César Marques, amigo comum meu e de meu filho, e que eu conheço desde que tinha uns 17 anos — e passava, com sua prancha de surfe, muito sério, compenetrado, queimado de sol, pela Marques de Caravelas, [...]

Zé Pitomba vai para a favela

Zé Pitomba nunca teve juízo. Era um folgado. Não pensava no futuro. Não pensava. Com seu cigarro, era a própria cigarra daquela conhecida fábula da Cigarra e a Formiga. Nunca estudou nada; largou a escola aos 14 ou 15 anos, nunca mais voltou. Estava mais interessado em outras coisas: futebol, praia, mulher, farra, cachaça, festa [...]

A Semama da Paixão

Antes, muitos anos já passados, a Semana da Paixão era plena de significação. Havia respeito, veneração, temor mesmo. Só quando rompia o Sábado de Aleluia — ou, melhor, a aleluia que era rompida no sábado — os sinos das igrejas a tocar alegremente, festivos, a meninada de novo a correr e a gritar, batendo lata, [...]

Chico Azedo e as Caras de Sono

Se havia uma coisa que intrigava Chico Azedo, no seu afã jornalístico, era a cara de sono dos baianos. Aquela preguiça inata. O gosto de fazer tudo pela metade, de não se mexer, de não levar as coisas muito a sério, os horários muito a sério. Intrigado, ia ele para o espelho, ficava espiando a [...]

Chico Azedo e as filas

Uma das especialidades de Chico Azedo era observar o tamanho das filas. Ou melhor, medir o tamanho das filas. Levava, pra isso, uma fita métrica, dessas usadas por engenheiros, e não se furtava a estirar aquela fita no chão dos estabelecimentos ou pedir a alguém que o auxiliasse no seu mister.  Era um jornalista abnegado, [...]

A Disneylandia Baiana

Nosso repórter Chico Azedo tem fama de chato: fica apontando os defeitos, falando mal da cidade, ao invés de celebrar as glórias e honras da Bahia, como todo o mundo, como todo baiano que se preze. Claro, fala-se muito de um administrador ou outro, e aparecem logo as palavras de apreço e elogio: “mas ele [...]

Os Coronéis se entendem

Nosso repórter Chico Azevedo — conhecido, nas rodas miúdas, por Chico Azedo, ou Chicazedo, um abelhudo de marca maior — foi entrevistar Seu Apolônio e o Coronel Pergentino Alencar, pois os dois haviam se notabilizado por causa daquela rixa durante o Carnaval. A intransigência de um e outro. De um lado, sem querer arredar da [...]

Seu Apolônio fica doido

Aquele Carnaval da Bahia era de mais, botava qualquer um doido! Era um pula-pula, corre-corre, empurra-empurra, bebe-bebe, mija-mija, aquilo não parava mais. Era uma semana de folia, o povo na rua, pra cima e pra baixo, dormindo no chão, pendurado nos camarotes, nas sacadas, nas janelas, em cima dos telhados. Em todo lugar tinha gente. [...]

O Camarote de Seu Apolônio

Seu Apolônio tava certo: não queria ficar amarrotado no meio da multidão, levar uma pisada no pé, uma cotovelada na cara, um empurrão — que aquele povo era muito brabo! Por muito menos, lá na roça, alguém ia sair com mais um furo no umbigo! Ôxe! Baiano, quando vê trio elétrico, fica todo doido! Sai [...]

Seu Apolônio e o carnaval

Aquilo já tava cozinhando no juízo de Seu Apolônio há tempo: conhecer o Carnaval da Bahia. Era coisa muito boa: a cidade cheia de turista, cada um fazendo o que quer, muita mulé, o povo se esbaldando na rua, urinando que nem cachorro. O povo todo bêbado, todo mundo com uma latinha de cerveja na [...]

Adeus Mar Grande

Fala-se muito nesses dias de uma tal ponte entre Itaparica e Salvador e essa possibilidade me atiça algumas considerações. De início, acho que se trata de colocar o carro antes dos bois, lembra-me algumas repartições que já têm o chefe entronado antes de haver subordinados, ou suficientes subordinados. A inversão da ordem das coisas. As [...]

O Pedido de Sonia

A escritora Sonia Coutinho, contista premiada, 2 Prêmios Jabuti, tradutora, com obras publicadas no exterior, mora no Rio há muitos anos mas mantém um apartamento no Porto da Barra, pra onde vem de tempos
em tempos. Vive chocada com o desmazelo que tomou conta do bairro, da sujeira generalizada, a bagunça típica de um país de [...]

Cinco da manhã

Essa vida tá cheia de dramas. Alguns reais. Outros, inventados. E problemas. Uns que a gente resolve, outros sem solução. Tudo que foi criado e serve para o bem, serve também para o mal. Assim a Internet, o telefone, o automóvel. 
Nessa última madrugada, acordei sem sono pelas 3 da manhã (havia ido dormir ainda cedo) [...]

Esse mundo é um salão de beleza

Até que enfim chegamos a um tema realmente popular: a beleza. Acho que não há nada que interesse mais ao povo baiano do que a beleza. Há uma proliferação enorme de salões de beleza pela cidade, ao lado de butiques vendendo roupa, os shoppings não são mais que um aglomerado de lojas vendendo roupas e [...]

As Luzes do Natal

As luzes do Natal já se fanaram, ou estão se fanando, uma por uma. Vão apagando. Talvez ainda reste alguma, em algum canto esquecido. A tradição antigamente era manter a árvore-de-natal ainda acesa e o presépio armado até o dia de Reis, a 5 de janeiro. Reis Magos, acrescente-se, aqueles que vieram claudicando, pelo deserto, [...]

Gente que a Gente encontra

Saio da toca, nessas andanças de bicicleta, e encontro gente. Parentes, amigos, pessoas que só vejo de vez em quando, que há tempo não via. É o lado bom da bicicleta: me tira do computador, a solidão do quarto e do ateliê. No ateliê estou sempre sozinho, tirando a vaga companhia de um factótum — [...]

Coisas que se aprendem

As conversas com Lalado são sempre proveitosas. Ele é especialista em descobrir coisas, ângulos por mim insuspeitados, arrolar novas experiências no seu cabedal de vivências. Por exemplo, é o único budista que conheço. Como nunca serei budista, tenho muita curiosidade sobre o assunto: ser um budista aqui, na Terra do Acarajé, na Terra dos Pajés. [...]

Compre um Avião

Dissemina-se, em todo o território nacional, a noção que o baiano é preguiçoso, mole, encostado, deixa tudo pra depois, para o dia seguinte, para o dia de São Nunca. Em parte, tudo isso é muito verdadeiro. Segunda-feira ninguém trabalha porque é o Dia da Pipoca. Os feriados são intermináveis: vão fazendo uma cadeia, um colar. [...]

Nossa Amizade

Gente que a gente conhece há muito tempo é como um bom sapato velho: é macio, o nosso pé já está acostumado com ele, não estranha. O sapato já faz parte da vida da gente, é um complemento agradável e bem aceito. Gente é a mesma coisa: os velhos amigos. Ficamos à vontade. Mesmo que [...]

Mais dois livros na praça

Estou lançando esses dias mais 2 livros: o 56º e o 57º, TENHO NO CHÃO MEUS PÉS DE MENINO, que reúne 25 contos, 13 vinhetas e 1 noveleta, e A ARCA DAS MEMÓRIAS DOURADAS, uma peça teatral.vinculada a meu segundo romance. As edições são de pequena tiragem, sem destino comercial relevante, e os livros acabam [...]

Quem precisa de prefeito?

Quem precisa de Prefeito em Salvador? Ninguém. Pelo menos, eu não preciso. Aqui, na rua onde moro, eu sou o Prefeito, o Chefe de Polícia, o Reclamador, tudo que se possa imaginar. Agora mesmo, nessa manhã de sábado, acabei de despejar sal em 2 bocas-de-lobo que estão entupidas, cheias de água e consequentemente de mosquitos [...]

Os Mendigos

Às vezes eles aparecem. Pai, mãe, filhos. Vêm sempre acompanhados por um vira-lata ou dois. Não sei por quê, mas família de mendigos tem sempre um vira-lata. Um cachorro magro, cara triste, olhar triste, talvez com fome. Compartilha a mesma sorte dos seus donos. Donos? Talvez nem sejam donos, mas companheiros de andanças e infortúnios. [...]

Seu Apolônio com a palavra

De volta à terrinha Seu Apolônio pintou e bordou. Virou o herói lá de Deus-Me-Livre. Ah, hum, hein, era um homem viajado, conhecia era coisa, sabia de tudo. Dava opiniões, palpites, ditava sentenças, decretos — sua palavra virou lei. Provava bolos, escolhia nomes pra crianças, ganhou não sei quantos afilhados, se meteu até a dar [...]

O dia da preguiça

Bom, estou aqui de volta depois de ceder meu espaço pra Seu Apolônio. O velho é saliente, muito conversador, cheio de opiniões. Veio lá de Cabrobó-de-Judas com seus espantos e suas paixões, chegou aqui cheirou, viu, venceu — o “vini, vidi, vinci” dos romanos — fez uma porção de amigos, se apaixonou, quis casar, quis [...]

As ideias de Seu Apolônio

Pois é, Seu Apolônio foi fazer a sua casinha ali, no Campo Grande, à sombra de uma sucupira de flores rosadas, e acabou dando polícia. Acabou preso, ele e a tropa dele: Zé do Cafuné, Ananias, Pichucolino (perdeu o triângulo no camburão), Zabumbinha, Rosinha, a do vestido de chita, e mais Suca, a mulé que [...]

Seu Apolônio faz a sua casinha

“Quem casa quer casa”, ditado antigo, dos bons tempos em que se vendia cuscuz a metro, quando a casimira era boa, era das inglesas, todo mundo tinha o seu Ford de bigode, a popular fubica, as muriçocas viviam palitando os dentes e os mosquitos estavam se reproduzindo aos milhões, aí nessas baixadas e pântanos — [...]

A paixão do Seu Apolônio

Quem iria imaginar uma coisa dessas? Seu Apolônio apaixonado e apaixonado mesmo, uma paixão das boas, dessas de deixar o couro coçando que nem urticária. Noites sem dormir, inquietação, o nome da amada nos lábios dia e noite, aquele pensamento retido, a imagem no centro de sua mente, inamovível, eterna. O velhote cabisbaixo e de [...]

Seu Apolônio e o Ingrêis

Tá vendo? Seu Apolônio fazer aquela besteira, sair da terra dele, se meter na terra dos outros. Quase quase foi até preso! Estava era perdido naquela cidade grande, que a Bahia era grande demais, era uma babilônia! Tudo diferente, tudo errado, o povo cheio de nove-horas, vivia todo mundo de calundu, andando pela rua sem [...]

Seu Apolônio e as novidades

Pois é, Seu Apolônio já viu foi novidade! Foi sair do seu bem bão, de sua roça, onde tinha de tudo, pra ir pra capital! Conhecer a Bahia! Que idéia de jerico! Ora, enfrentar motoca, uma pestinha perigosa danada, correr de cachorro sem dono, de ônibus correndo feito doido, ficar dando desculpa pra esmoler: “eu [...]

A chegada da primavera

Antigamente, este era um tema sempre recorrente nos jornais e nas rádios: a chegada da Primavera. Tempo de uma vida calma, regada a muito silêncio e descontração, quando os chefes de família chegavam em casa às 5 da tarde, os escritórios, consultórios e as lojas iam fechando as portas ao cair da tarde. Somente um [...]

As viagens de Seu Apolônio

Seu Apolônio era um velho babaquara, do tempo do Onça, de Dom João Charuto, cresceu ouvindo histórias do arco-da-velha. Nunca tinha ido à capital. Capital, pra ele, era Macambira, lá nos confins do sertão, onde o vento faz a curva e volta cansado. Sim, ele era do tempo que Judas andava de tamanco — velho, [...]

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